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Quem está preparado para a era pós-digital?

por Lucas Mello
Nov 6th, 2018 » 9 min (Opinion) (Post Digital)

Estamos entrando em uma nova era. A partir de agora viveremos a redução gradual do fascínio por novas tecnologias, como quando assistimos Steve Jobs apresentar ao mundo o primeiro iPhone, em junho de 2007. Pouco mais de dez anos depois, a Apple ultrapassou a marca de um bilhão de iPhones vendidos e estima-se que mais de um terço da população mundial seja usuária de smartphones.

Nós nos habituamos a um ritmo frenético de evolução. Assistimos à chegada de impressoras 3D, drones, carros autônomos e assistentes pessoais capazes de realizar atividades mundanas, como agendar um corte de cabelo. O digital se consolidou como aconteceu com a eletricidade, se integrando a nossas vidas de maneira indivisível e natural.

Longe de mim dizer que a tecnologia perderá seu encanto. Pelo contrário, ela se fundiu conosco e potencializa nosso dia a dia. Carregar o Google no bolso nos transforma em experts de qualquer assunto. O digital é tão presente que apenas sentimos sua importância em nossas vidas quando em sua ausência.

Na próxima década iremos participar de saltos tecnológicos hoje inimagináveis. Veremos uma integração de humanos e tecnologia de forma ainda mais indivisível chegando ao que pensadores como Ray Kurzweil chamam de Singularidade. Líderes globais como Bill Gates já afirmaram que a humanidade pode ser colocada em xeque no momento em que a Inteligência Artificial alcançar seu potencial exponencial.

Na ℓiⱴε, acreditamos que a digitalização irá nos levar para um novo estágio de evolução. Num mundo mais dominado por automação, gadgets e hiper-conectividade, veremos aflorar nos próximos anos tudo aquilo que nos faz humanos.

Vivemos o começo da Era Pós-Digital. De um lado, veremos uma forte integração tecnológica com nossas vidas. De outro, a valorização radical das relações humanas. Para isso, teremos de trabalhar duro para sanar os efeitos colaterais da digitalização, como a quebra da privacidade, a multiplicação de fake news e a grande polarização que desafia sistemas democráticos pelo mundo.

Também veremos valores sociais e movimentos culturais retomarem o protagonismo de gerações anteriores. Desta vez com a oportunidade de fazer o digital virar aliado na busca por transparência e confiança.

Refugiados migrando por todas as partes transformarão o mundo num lugar muito mais diverso. Segundo o censo americano, a Geração Z Plus (nascida a partir de 2007) será a primeira na qual os brancos serão minoria nos Estados Unidos. No Brasil, segundo o IBGE, as pessoas que se declaram negras ou pardas formam mais de 46% da população desde 2016.

Durante a última década, desde quando criamos a primeira campanha brasileira envolvendo blogueiros, em 2006, para o lançamento do "Bar da Boa", da cerveja Antarctica, vimos uma avalanche de modismos nascendo e morrendo na mesma velocidade. O desconhecimento digital de grandes corporações permitiu diversas agências e veículos lucrarem com a transição. Muitas vezes usando a falta de transparência como maior aliado de seus negócios. A mentira, sempre muito lucrativa no mercado publicitário, cobrou um preço muito caro para a indústria: a falta de confiança.

Mas podemos dizer que em 2018 há pouco espaço para esse tipo de relação comercial. A Era Pós-Digital busca restabelecer a confiança no centro das relações: entre agências, produtoras, veículos, anunciantes, marcas e consumidores. Muitos de nossos clientes chegam até a ℓiⱴε descrentes das relações com suas tradicionais agências. Nós nos dedicamos a mostrar novamente o valor da confiança e da parceria.

Para as marcas, há novos desafios. A neutralidade e austeridade de posicionamento deixarão de trazer resultados. Os consumidores esperam que as marcas sejam transparentes em seus pensamentos e tomem iniciativas. Temas como igualdade de gênero, justiça social, racial e climática emergem fortemente à medida que a geração Z cresce em direção à vida economicamente ativa. Esse processo exigirá desenvolvimento humano dentro das corporações e agências.

Na ℓiⱴε, há anos desenvolvemos nosso repertório humano. Criamos uma metodologia chamada T.R.U.E., uma jornada pela busca das verdades que conectam marcas e consumidores por meio da cultura, tendo o digital como motor para performance e geração de resultados. Isso pode ser visto em nossas campanhas para marcas como Absolut Vodka e Ben&Jerry's. Em ambos os casos, apostar na construção de marcas mais humanas se reverteu em resultados expressivos para as empresas.

Vivemos um ciclo de renovação no mercado e isso trará mudanças significativas em uma retomada profunda por habilidades e valores que nunca deveriam ter sido deixados de lado: criatividade, sensibilidade, honestidade e parceria. Um tempo em que o digital passará a ocupar seu lugar definitivo, o de impulsionar nosso potencial humano e de nossas relações.

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