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Quando foi a última vez em que você sentiu algo mudar por dentro?

por Editoria ℓiⱴε
Nov 6th, 2018 » 9 min (Events) (Music)

Uma inusitada celebração organizada por dois amigos feita em homenagem ao solstício de verão na Califórnia acabou por gerar um evento que é hoje a principal referência de um tipo de festival que faz mais do que divertir e entreter. São encontros que promovem reflexões com potencial de transformar a visão de mundo — e de negócios — de quem participa.

O primeiro evento desse gênero aconteceu despretensiosamente. Em 1986, o paisagista Lee Harvey e o carpinteiro Jerry James decidiram construir um homem de madeira com mais de dois metros de altura e queimá-lo numa praia de São Francisco para saudar o momento em que o sol está ao máximo da linha do Equador (ou, em outras palavras, o solstício). Nascia assim o Burning Man, evento que hoje acontece em um deserto numa cidade que é construída todos os anos por seus participantes no estado de Nevada, nos EUA. O Burning Man mantém seu ar celebrativo e de festa, mas é muito mais do que isso. Ele é imersivo, intenso e colaborativo.

O ícone do Burning Man: o homem de madeira que é queimado ao final do evento. Foto — Marcos Issler.

O evento surgiu em 2007 como uma versão regional do Burning Man como uma versão regional do Burning Man. Fotos — Duncan Rawlinson

Responsabilidade de disseminar a cultura do AfrikaBurn está em cada participante.

Essas características estão associadas a um conceito: festival transformativo, apresentado em um evento que também reúne essas marcas, o TED. Essa conceituação aconteceu mais exatamente numa edição independente do TED, que se conhece por TEDx. Em 2010, em Vancouver, o documentarista Jeet Kei Leung usou a expressão "transformational festival" para se referir a eventos que classificou como notáveis fenômenos culturais veja abaixo o vídeo de Leung no TEDxVancouver. São movimentos globais que, atualizando-se ao tempo atual, vem ocorrendo há cerca de 20 anos. Esses festivais duram dias, o público é participante ativo — ou cocriador da experiência — e vivencia transformações de suas percepções pessoais. A partir dessa definição, outros eventos passaram a ser chamados desse modo.

Independentemente desse conceito, depois do Burning Man, outros festivais semelhantes surgiram, caso do Envision na Costa Rica — mais abaixo, veja a lista de eventos que podem ser bastante transformadores. De um modo geral, eles destacam a importância da colaboração e da comunidade. Há quem associe esses movimentos aos da contracultura da década de 1960, que teve como um de seus marcos o Festival de Woodstock, realizado em 1969 numa fazenda na cidade de Bethel, no estado de Nova York. A nova onda de eventos capazes de provocar alguma transformação, seja pela reflexão promovida pelo conteúdo, seja pela experiência vivenciada no próprio espaço, inclui também as grandes cidades. A pauta desses encontros vai além de artes, cultura e autoconhecimento. Pode envolver inovação, empreendedorismo, negócios e sustentabilidade. Sucesso entre os brasileiros, o SXSW acontece em Austin desde 1987. É um exemplo de festival que integra mais do que seus participantes: ele conecta a cidade ao evento.Algo visto também no Sundance Film Festival, que não é um Burning Man, mas que, pelo fato de dar chance a projetos independentes e permitir que o público tenha contato com obras que tocam em questões sensíveis da sociedade hoje, pode ser considerado um evento capaz de modificar ideias e conceitos.

Foco do evento está em debater tendências e aplicações tecnológicas do universo da música. Foto — Ralph Larmann

Composto de três conferências — Interactive, Film e Music –, o SXSW se tornou um dos pontos de imersão preferidos por diversos perfis de profissionais, entre eles muitos do mercado de comunicação. São sessões, shows, exibições de filmes, ativações de marcas e uma série de atrações paralelas que se espalham pela área coberta pelo festival. Embora o evento não divulgue o público por nação, o SXSW informa que 25% dos participantes são estrangeiros.Na edição de 2017, o Brasil foi o segundo país dentro desse percentual, afirma Brett Cannon, senior publicist do festival.Esse grupo, segundo ele, é bastante heterogêneo, mas há uma presença muito grande de profissionais de marketing, de publicidade e da mídia.O total de inscritos da edição deste ano, em março, chegou a 70 mil pessoas.Números extraoficiais indicam que 1.336 brasileiros estiveram em Austin, constituindo a quarta delegação estrangeira do evento.Em 2017, o total de participantes do país foi de 1.153, contra 550 do ano anterior.A Apex-Brasil, que apoia o SXSW desde 2014, ajudou a consolidar a presença do Brasil no evento.Em 2017, a entidade levou 68 empresas para o festival.Neste ano, foram 77. Com tudo isso, Austin se tornou bem brasileira em 2018.

O SXSW nasceu para mostrar Austin e sua cena musical. Hoje é notório por discutir o futuro e apresentar empresas como o Uber. Foto — Alexa Gonzalez Wagner

SXSW: mais de 1,3 mil brasileiros estiveram na edição 2018. Foto — Aaron Rogosin)

Transformando a cultura

O SXSW explica que sua missão é "ajudar pessoas criativas a atingirem seus objetivos". Como afirma Cannon, o evento oferece inúmeros pontos de inspiração, ideias e talks de vanguarda e oportunidades de conexão capazes de ajudar qualquer profissional a atingir seus objetivos pessoais de negócios. Para ele, o que o evento faz extrapola o nível individual. "Temos uma história de grandes ideias transformadoras da cultura, que podem ser vistas pelo Twitter (que foi lançado no SXSW), pelo Uber (que foi concebido no SXSW), FourSquare, Magic Leap, Airbnb, estes todos que tiverem seus inícios no festival. Essas são grandes ideias que as pessoas usam hoje diariamente ao redor do mundo". É claro que não é todo evento que se diz transformador que será capaz de acrescentar algo diferente na vida de um profissional do mercado de comunicação.Mesmo eventos consagrados talvez não agradem.Um dos riscos é se deparar, por exemplo, com conteúdo não tão aprofundado, sobretudo se o festival apenas quiser surfar a onda.Por isso, é preciso dedicar tempo a estudar o evento com a proposta de inspirar e gerar insights e mudanças.A questão não está exatamente nos formatos dos eventos ou festivais.O ponto principal é a curadoria.

Alma Preta/ Divulgação

Alma Preta/ Divulgação

Você já foi à Feira Preta?

Realizada em São Paulo desde 2002, a Feira Preta é um evento anual que reúne criadores negros de setores como artes, moda, gastronomia e audiovisual. Seus números são grandiosos. Desde que surgiu, ela contabiliza 120 mil participantes, 700 expositores do Brasil e da América Latina e 600 artistas nacionais e internacionais. Em 2017, foram 27 mil os participantes. A intenção nesta edição é chegar a 30 mil. Seu objetivo é difundir costumes e tradições da cultura negra e fomentar negócios de empreendedores da comunidade negra. "Quando a gente começou, queríamos estimular o tema do afro - empreendedorismo e da valorização da cultura negra", lembra Adriana Barbosa, fundadora da Feira Preta.Com o tempo, o evento evoluiu e passou a abraçar outras áreas.É um modelo híbrido, que envolve comércio e cultura, e que abarca diversas linhas da economia criativa, que pensa marketing, inovação e tecnologia, e que conta com workshops, desfiles, shows e palestras.

Não é um evento restrito à comunidade negra. "Da mesma forma que o Festival do Japão não é só para japoneses", esclarece Adriana. A Feira Preta, que neste ano acontecerá entre os dias 19 e 20 de novembro, procura mostrar o legado da cultura africana no Brasil, que ajudou a moldar a identidade do país. "A gente conta a história a partir do nosso ponto de vista", diz Adriana, que é formada em gestão de eventos. Por isso, a Feira Preta tem potencial para transformar visões ou mesmo para agregar informações que escapam ao radar cotidiano.

O evento reuniu 27 mil participantes no ano passado. A edição 2018 acontece entre os dias 19 e 20 de novembro. Alma Preta/ Divulgação

O evento reuniu 27 mil participantes no ano passado. A edição 2018 acontece entre os dias 19 e 20 de novembro. Alma Preta/ Divulgação

Segundo Adriana, muitos profissionais da publicidade, sobretudo os da criação, visitam a Feira Preta, que é organizada pelo Instituto Feira Preta (plataforma que faz o mapeamento do afro-empreendedorismo no Brasil e que atua como aceleradora e incubadora de negócios negros). É, de fato, um evento para buscar informação e promover transformações internas, tanto para os participantes negros quanto para não-negros. O Instituto salienta, por sinal, que a população negra representa 53% dos brasileiros. Entre os empreendedores do país, 50% são negros e 88% são mulheres.

A Feira Preta promove 14 palestras dentro do eixo que se chama Diálogos (há mais dois: a feira, com shows e desfiles, e o comércio, com a produção de diversos empreendedores). Um dos focos desse conteúdo é mostrar as causas reais dos problemas enfrentados atualmente pela população negra. Outro é apresentar um olhar de inclusão ao mercado e ao público, que se modificou desde o início da Feira Preta até hoje. "Temos uma geração Feira Preta. São pessoas que se reconhecem pretas desde o nascimento. Eu tive de ‘me formar’. A pegada dessa nova geração é outra", observa Adriana.

A Feira Preta é, portanto, um exemplo de evento brasileiro capaz de transformar, de alguma forma, o profissional de comunicação. Por aqui, acontecem diversos TEDx desde o primeiro que aportou por aqui, o TEDxSP de 2009. Uma edição do PicNic (festival que aconteceu em Amsterdã entre 2006 e 2012) foi organizada no Rio, em 2016. E agora está em preparativos uma versão brasileira do Burning Man, o Tropical Burn, que deverá acontecer em alguma praia do Nordeste, entre os dias 19 e 25 de junho de 2019. A organização do Tropical Burn ressalta que seu objetivo é "gerar uma sociedade que conecta cada indivíduo com seus poderes criativos". Destaca ainda que não se trata de um festival — embora o Burning Man seja reconhecido como tal. Segundo os organizadores (que são discretos quanto à identidade), a cidade temporária que irá se construir só vai funcionar "com a participação de todas as pessoas como voluntárias: seja construindo uma instalação de arte, montando um acampamento, trabalhando em dois ou três dias assumindo tarefas como cozinhar, servir no bar do seu acampamento, reciclar o lixo e ajudar as pessoas ativamente, todos os dias, o tempo todo". Se irá replicar bem o original, só será possível descobrir em 2019. Até lá, vale a pena pesquisar e buscar outros eventos capazes de provocar mudanças na vida e no trabalho.Depoimentos como o do CEO da Profile, Rodrigo Cunha, sobre suas experiências com o TED, mostram que a trajetória profissional pode ser positivamente alterada mesmo que esse não tenha sido o objetivo inicial(confira em "Impulso explorador que muda a carreira").Para facilitar essa busca, preparamos uma lista de festivais com potencial de transformação, que têm propostas variadas.A imersão começa por aí.

Escolha seu festival

BURNING MAN — É a referência dos festivais transformativos. Surgiu em 1986, criado pelo paisagista Lee Harvey (que morreu em abril passado, aos 70 anos) e pelo carpinteiro Jerry James. Os dois construíram um homem de madeira de 2,4 metros e o queimaram numa praia de San Francisco em homenagem ao solstício de verão. Anos depois, foi transferido para o deserto de Black Rock, em Nevada. Hoje, reúne cerca de 70 mil pessoas todos os anos para construir uma cidade temporária dedicada ao espírito de comunidade, às artes, à criatividade, à liberdade. Em sua descrição, o Burning Man — que é regido por dez princípios — aponta que não é um evento como a gente costuma imaginar um evento. É uma metrópole vibrante e participativa construída por seus cidadãos. Como funciona? As pessoas se instalam no local, em barracas, com carros e bicicletas, durante dez dias em meio a instalações artísticas e atividades que a própria comunidade estabelece. São os participantes que fazem a cidade acontecer. E a desfazem também, com a ajuda de uma importante equipe de voluntários. Um dos dez princípios é "não deixe rastros". Ingressos custam de US$ 425 a US$ 1.200. Dinheiro só é usado lá para duas coisas: gelo e café. No final desse período, há a queima do homem de madeira.

Quando
25 de agosto a 2 de setembro de 2019

Onde
Black Rock, Nevada (EUA)

O que posso fazer
Inscreva-se pelo site https://burningman.org/

O Burning Man é referência de um conceito difundido a partir de um TEDxVancouver: os festivais transformativos. Foto — Marcos Issler

SUMMIT LA — Com a assinatura "the world’s preeminent ideas festivals", o Summit LA é uma jornada intensa de três dias de atividades. São talks, performances, aulas de wellness, instalações artísticas, experiências gourmet e outras mais desenhadas para "estimular relacionamentos e inspirar novas perspectivas" para transformar o mundo. Neste ano serão 80 talks, 40 performances e 45 sessões de wellness. A lista de speakers desta edição inclui Al Gore, o fundador do Starbucks (Howard Schultz), uma das criadoras do movimento #metoo (Tarana Burke), um dos integrantes da cultuada — e finada — banda The Grateful Dead (o vocalista Bob Weir) e um dos fundadores da Singularity University (Peter Diamandis).

Como no Burning Man, o Summit LA tem princípios. No caso, oito. Entre eles, estão abrace o inesperado e não se leve muito a sério. O espírito do festival também é o de comunidade. Mas, ao contrário do Burning Man, em que todos podem participar e não há pré-requisitos, o Summit é somente para convidados. Interessados podem se submeter a um processo de aprovação, feito pelo Summit Community Team. Os participantes vão de empreendedores a ativistas, de cientistas a chefs, de exploradores a líderes espirituais… Tem de ser alguém que faz acontecer em sua área de atuação. Aprovado, o participante recebe informações sobre ingressos (os valores não aparecem no site). O campus fica na área central de Los Angeles, com uma larga tenda. Palestras e apresentações acontecem em seis teatros. O entorno vira parte da programação. Rooftops, becos, spas e mesmo lojas são repaginadas para que esses espaços sejam integrados ao propósito de conectar os participantes. O festival é uma combinação de arte, debates, música, wellness, gastronomia e networking para gerar "novas amizades, novos negócios e novos movimentos". Em outros momentos do ano, o Summit oferece programas como finais de semana nas montanhas (como coquetéis no por do sol e cavalgadas) e pequenas excursões na natureza ou eventos em outras cidades, como Tulum, no México, mas a conferência principal é a de LA. O Summit foi criado em abril de 2008 pelos sócios Elliott Bisnow, Brett Leve, Jeff Rosenthal, Jeremy Schwartz e Ryan Begelman, todos empreendedores que estão hoje na casa dos 30 anos. Bisnow já declarou que o Summit é um festival de aprendizagem. E Leve afirmou que o evento é interdisciplinar, verdadeiramente imersivo e voltado para a comunidade.

Quando
De 02 a 05 de novembro.

Onde
Los Angeles

O que posso fazer
 Como o evento é só para convidados, faça uma aplicação para tentar ser selecionado. Informações no site https://la18.summit.co/

O Summit LA tem um campus em Los Angeles em uma área repleta de teatros. Os organizadores o definem como um festival de aprendizagem. Fotos — Divulgação

O Summit foi criado em 2008 por jovens empreendedores que hoje estão na casa dos 30 anos

SLUSH — Sem o sol da Califórnia, avisam logo de cara, em tom de brincadeira, os organizadores do evento, que começou como um encontro de startups sete anos atrás, em Helsinque. Na ocasião, cerca de 300 pessoas se reuniram. A evolução foi veloz, no ritmo desta era hiper conectada. No ano passado, o Slush atraiu 20 mil participantes, 2,6 mil startups e 1,6 mil investidores. Ele representa a oportunidade de uma startup encontrar um fundo disposto a bancar um novo negócio.
Foto(Legenda - Evento atraiu 20 mil pessoas no ano passado.Foto — Petri Anttila)
Os organizadores dizem que o evento é uma colisão entre festival e conferência — são dois dias de palestras, com convidados como Daniel Ek, fundador do Spotify, e Martin Lau, presidente da Tencent."Não é um negócio, mas uma comunidade de pessoas que amam o que fazem", afirma o site oficial.É um encontro techie, com direito a um programa paralelo de música(Slush Music) e outros eventos e atividades acontecendo na cidade.O ingresso de participante custa atualmente 795 euros.O Slush cresceu tanto que abriu outras frentes: Tóquio, Xangai e Singapura.

Quando
04 a 05 de dezembro.

Onde
Helsinque (Finlândia)

O que posso fazer
Os valores variam entre € 795 (participantes comuns e investidores) e € 295 (startups), mas é preciso conferir o lote de vendas (preços se alteram conforme a proximidade do evento). Mais informações no site http://www.slush.org/

Evento atraiu 20 mil pessoas no ano passado. Foto — Petri Anttila

Encontro techie com programas e atividades paralelos acontecendo na cidade. Foto — Sami Välikangas

SUNDANCE FILM FESTIVAL — Fundado pelo ator Robert Redford, o festival surgiu em 1981 para estimular o cinema independente nos EUA, dando voz a novos profissionais e chance a quem estava disposto a correr riscos. Naquele ano, dez cineastas em início de carreira se reuniram no Sundance Resort, nas montanhas de Utah, com roteiristas, atores e diretores para, juntos, desenvolverem projetos.

O evento ganhou força e se expandiu a tal ponto de ter hoje mais de 180 empregados (pelo Sundance Institute) e ter bolsas de US$ 3 milhões e mentoria para 900 artistas a cada ano. Como o cinema independente reflete em parte as discussões contemporâneas da sociedade, isso pode ser visto em algumas produções exibidas no festival, como mais obras dirigidas por mulheres.

Quando
24 de janeiro a 03 de fevereiro de 2019

Onde
Sundance, Utah (EUA)

O que posso fazer
Há três tipos principais de ingressos: passes do festival, pacotes de bilhetes e ingressos individuais, que variam conforme a proximidade do festival. E nessas categorias também há ainda mais opções de compra. Os moradores têm direito a uma pré-venda com valores especiais. A bilheteria começa a funcionar para o público geral a partir de 18 de outubro. Detalhes devem ser conferidos no site: https://www.sundance.org/festivals/sundance-film-festival

O cinema independente reflete questões contemporâneas da sociedade.

O festival criado por Robert Redford envolve a cidade, ampliando o alcance do evento. Fotos — Divulgação

CTM FESTIVAL — Fundado em 1999, o festival é dedicado à música digital e experimental contemporânea, mas compreende também uma variedade grande de expressões artísticas que fazem parte da cultura de clubes, espaços e casas noturnas. O evento procura debater tendências e aplicações tecnológicas do universo musical. Além de apresentações e performances, o festival oferece uma programação de palestras, workshops, exibições, instalações artísticas e oportunidades de networking. As atividades se espalham entre centros e prédios ligados à cultura na cidade de Berlim.

Desde sua origem, o CTM acontece junto com o Transmediale — International Festival for Art and Digital Culture. Os organizadores dos dois eventos atuam de forma colaborativa e esse encontro de festivais promove um mergulho profundo sobre cultura digital. Para a 20ª edição do festival, foi escolhido o tema "Perseverança". A proposta é examinar os potenciais estéticos e sociais, bem como as dores da perseverança. Os organizadores pontuam que, "como as atitudes polarizadoras e as retóricas simplistas continuam se proliferando de forma alarmante, somos confrontados com as dificuldades de resistir a elas e as divisões que criam. O desafio está em cultivar perseverança sem cair em rigidez e dogmas. Está em cultivar firmeza por meio do reconhecimento da diversidade, da diferença e do hibridismo, ao mesmo tempo em que se abraça a fluidez, a incerteza e o fluxo". Para a edição de número 20 do CTM haverá ainda formatos especiais como o MusicMakers Hacklab e o Research Networking Day with Humboldt University.

Quando
25 de janeiro a 03 de fevereiro de 2019

Onde
Berlim (Alemanha)

O que posso fazer
A programação começa a ser divulgada em outubro, assim como o primeiro lote de ingressos: https://www.ctm-festival.de

O festival oferece apresentações, performances, palestras, workshops, exibições, instalações artísticas e networking. Foto — Stefanie Kulisch

FITC (Future. Innovation. Technology. Creativity). O evento que surgiu em 2002 se espalhou pelo mundo, com edições em Toronto (onde nasceu), Amsterdã, Tóquio, San Francisco, Chicago, Seul, Nova York e Los Angeles. É um encontro que discute vida digital, criatividade e o futuro da inovação. Na programação, sessões com designers, desenvolvedores, artistas e qualquer profissional que tenha projetos digitais.
Foto(legenda - O evento surgiu em 2002 e tem edições em lugares como Toronto(acima), Amsterdã e Tóquio.Fotos — Divulgação)
A ideia é fornecer conteúdo mais técnico ou mesmo que inspirem o público. Na edição canadense realizada neste ano, foram mais de 70 sessões com pessoas como Graham McDonnel, diretor criativo do jornal The New York Times, e Corey Ouelette, desenvolvedor de data experience da Thomson Reuters.

Quando
18 e 19 de fevereiro de 2019 (Amsterdã) e 29 de abril a 1º de maior (Toronto).

Onde
Amsterdã (Holanda) e Toronto (Canadá)

O que posso fazer
 Os preços para o festival de Amsterdã giram entre € 239 — € 399, sem os workshops (nesse caso, o valor sobe até € 599). A programação ainda será liberada. ttps://fitc.ca

O evento surgiu em 2002 e tem edições em lugares como Toronto (acima), Amsterdã e Tóquio. Fotos — Divulgação

Há conteúdo mais técnico e outros criados para inspirar. A edição canadense deste ano teve mais de 70 sessões

ENVISION — Misture música, arte, ecologia e atividades contemplativas e esse pode ser um resumo do que é o Envision, fundado em 2011. A proposta do festival, que permite a participação de crianças, é promover o despertar do "potencial humano" em um ambiente conectado com a natureza. Isso porque a região escolhida, no sul da Costa Rica, oferece ao público o mix de floresta e praia, combinação perfeita para quatro dias de celebração do bem-estar humano, com direito a shows comandados por DJs e artistas performáticos.

O evento tem oito pilares — alguns lembram os do Burning Man: permacultura, espiritualidade (meditação e consciência), movimento (dança, ioga, artes marciais), arte, música, comunidade, saúde (nutrição, alimentos orgânicos, produção local) e instalações ecológicas (estruturas montadas com impacto mínimo, materiais renováveis e construção de sistemas integrados). Com isso, são oferecidas desde sessões de ioga até palestras e workshops, com o propósito de inspirar, estimular a criatividade e propagar seus conceitos. Há uma vila e o "templo da terra", um espaço central para que os participantes possam fazer uma pausa das atividades. Existe nessa área uma fogueira que permanece acesa durante todo o evento. A primeira edição contou com 500 participantes. Hoje, são cerca de cinco mil pessoas.

Quando
28 de fevereiro a 3 de março de 2019

Onde
Uvita, Costa Rica

O que posso fazer
Os ingressos custam a partir de US$ 279 (com os quatro dias e mais acesso ao camping). Há outros pacotes, que incluem serviços vips. Existe a possibilidade de atuar como voluntário. Quem quiser se candidatar, as inscrições abrem em setembro. https://envisionfestival.com

Sessões de ioga, palestras, workshops, uma vila e o “templo da terra” fazem parte do Envision. Foto — Aaron Glassman

O festival tem a proposta de promover o despertar do “potencial humano”. Foto — JorgPhoto

SXSW — Quando surgiu em 1987, o SXSW não tinha pretensões grandiosas. A intenção era mostrar que Austin tinha uma boa cena musical e que atraia pensadores e artistas — no ano anterior, uma série de debates organizada pelo jornal The Austin Chronicle lançara a semente do festival ao discutir o futuro do entretenimento e da mídia. Para a primeira edição do evento, esperava-se que participariam cerca de 150 pessoas. Foram mais de 700. Com apresentações musicais e palestras montadas pela cidade, aos poucos o evento foi conquistando notoriedade.

Em 1994, o evento contou com Johnny Cash, que, além de se apresentar, ainda foi palestrante. Nesse mesmo ano, o festival passou a abarcar cinema e multimídia. E assim, a fama e o crescimento do SXSW foram se consolidando — cinco anos depois a parte multimídia mudou para Interactive. Hoje, o evento abriga inclusive gaming. E sua popularidade se expandiu de tal forma que o SXSW entrou de vez para a agenda dos profissionais de comunicação.

Quando
08 a 17 de março de 2019

Onde
Austin, Texas (EUA)

O que posso fazer
 Os preços dos ingressos variam de US$ 825 (até 13 de setembro) e US$ 925 (até 25 de outubro) a US$ 1.150 (até 13 de setembro) e US$ 1.250. Os valores aumentam a cada lote. https://www.sxsw.com

O festival é exemplo de evento que envolve a cidade com atividades variadas. Foto — Aaron Rogosin

TRIBECA FILM FESTIVAL — Criado em 2001 pelo ator Robert De Niro, pela produtora Jane Rosenthal e seu marido, o investidor Craig Hatkoff, o evento tem o objetivo de celebrar o storytelling em todas as suas formas, do filme ao game, da realidade virtual à música. Nascido com suas bases no cinema independente e com a intenção também de revitalizar o bairro, no downtownManhattan, o festival impulsionou, de fato, a economia local, um dos preceitos destes tempos do post-digital. E ainda abriu possibilidades para projetos de inovação — como a criação de um filme por meio de robôs –, de branded content e para novas plataformas tecnológicas. Não se trata, portanto, de ser "apenas" um evento de cinema.

Há performances ao vivo, talks e atividades feitas na rua para envolver a comunidade. O Tribeca Film Festival se posiciona como um destino para a criatividade que procura ressignificar a experiência cinematográfica, sem deixar de explorar maneiras como a arte pode unir comunidades. Este ano foram exibidos 96 filmes em 12 dias de evento. Entre os highlights, houve uma exibição de "A Lista de Schindler", seguido de um painel com Steven Spielberg, Liam Neeson e Ben Kingsley.

Quando
24 de abril a 05 de maio de 2019.

Onde
Nova York (EUA)

O que posso fazer
Valores ainda serão informados pelo site, mas há ampla variedade de pacotes de ingressos. Há uma opção super vip, com preços iniciando em US$ 6 mil. Também há ofertas de descontos. Mais detalhes em https://www.tribecafilm.com

O Tribeca Film Festival nasceu com base no cinema independente. Atividades no bairro procuram envolver a comunidade. Fotos — Divulgação

O evento quer "ressignificar a experiência cinematográfica"

AFRIKABURN –Definido pelos organizadores como "uma comunidade de participantes", o festival se propõe a criar arte, queimar estruturas e hábitos e oferecer performances e música. O evento surgiu em 2007 como uma versão regional do Burning Man. Seus princípios são iguais aos do festival-mãe, com o acréscimo de um item: "Each one teach one". Isso quer dizer que a responsabilidade de disseminar a cultura do AfrikaBurn está em cada um que participa do encontro.
Foto(Legenda – O evento surgiu em 2007 como uma versão regional do Burning Man como uma versão regional do Burning Man.Fotos — Duncan Rawlinson)
O tema da próxima edição é "Ephemerality", conceito das coisas que são transitórias, que existem apenas brevemente.Como alegam os organizadores, a efemeridade, seja na natureza, na arte ou na atividade humana, pode deixar marcas potentes, como um lago temporário, uma mandala na areia, um desenho feito com giz numa estrada ou uma escultura de madeira queimando no fogo."Momentos fugazes carregam grande poder", afirmam.E então vem a provocação: "pense no AfrikaBurn onde todas as obras artísticas, todos os projetos e todos os esforços são feitos sabendo - se que eles podem ser o último de sua espécie".No ano passado, foram vendidos 13 mil ingressos.

Quando
29 de abril a 06 de maio de 2019

Onde
Tankwa Karoo, uma área semidesértica no nordeste da província de Cape (África do Sul). É importante não confundir com o Tankwa Karoo National Park

O que posso fazer
 As vendas de ingressos começam no dia 26 de setembro (existem pacotes vips já à venda). Há valores subsidiados, mas para isso há condições específicas (como estudantes e pais solteiros). Eles saem por R 695 (esse valor, estabelecido na moeda sul-africana, equivale a cerca de US$ 45, na cotação de setembro). As aplicações para esses ingressos estarão abertas a partir de 10 de setembro. Mais informações https://www.afrikaburn.com/

99U — A 99U Conference, ou The Adobe 99U Conference, tem a proposta de levar líderes da economia criativa — como Todd Yellin, vice-presidente de product innovation da Netflix; Paola Antonelli, curadora sênior do MoMa; Ian Spalter, head de design do Instagram; e Stefan Sagmeister, fundador da Sagmeister — para contar suas histórias e desafios e, desse modo, inspirar os participantes a encontrar novos caminhos para suas carreiras. Há sessões criadas para explorar conceitos atuais de liderança, trabalho em equipe e produtividade.
Foto(Legenda - Entre as atividades da 99U Conference há workshops, creative labs e coquetéis para relacionamento da comunidade.Fotos: 99U / Facebook)
Entre as atividades há ainda workshops, creative labs e coquetéis para relacionamento da comunidade, composta de perfis que variam entre designers e engenheiros, profissionais de marketing e educadores, artistas e CEOs. São cerca de mil pessoas que participam do evento, que chegou a dez edições em 2018. Uma das marcas que os organizadores gostam de ressaltar é que não há festas como as da 99U Conference dentre os demais eventos dirigidos para a comunidade criativa. A festa de encerramento acontece no MoMa.
Foto  (Legenda – O evento tem a proposta de levar líderes da economia criativa para contar suas histórias e seus desafios e, assim, inspirar os participantes)

Quando
08 a 10 de maio de 2019

Onde
 Nova York (EUA)

O que posso fazer
 Para quem já participou de algum evento da 99U, inscrições já podem ser feitas. Para estreantes, as inscrições também já estão abertas. Mais detalhes em https://conference.99u.com

Entre as atividades da 99U Conference há workshops, creative labs e coquetéis para relacionamento da comunidade. Fotos: 99U/ Facebook

O evento tem a proposta de levar líderes da economia criativa para contar suas histórias e seus desafios e, assim, inspirar os participantes

SÓNAR — Em 2018, o Sónar realizou uma edição especial: 25 anos de existência. E para o evento conseguiu atrair um público recorde: 126 mil pessoas de 119 países. Com foco em música, criatividade e tecnologia, o festival nasceu sob a epígrafe "Festival de Música Avanzada y Arte Multimedia" e se dividiu desde o princípio entre o Sónar de Dia e o Sónar de Noite e contava já com uma feira discográfica e tecnológica. Com o tempo, novas atividades foram agregadas como as exposições de arte digital SonarMàtica e o Sónar Cinema. Em 2013, todas as atividades não-musicais foram reunidas sob uma nova marca, o Sonar+D, que oferece ainda palestras e workshops.

Na edição do 25º aniversário, foram mais de 150 shows e 230 atividades com nomes como Gorillaz, Thom Yorke, LCD Soundsystem e Ryuichi Sakamoto. No congresso Sónar+D, entre projetos de arte e debates sobre ativismo, estiveram no palco representantes do MIT, da BBC, do Playstation e da Nasa. Ou seja, um cardápio com tendências e experiências tão variadas quanto o line-up musical.
Foto(Os organizadores reuniram todas as atividades não- musicais sob uma nova marca, o Sonar + D.Foto – Divulgação / Barrut)

Quando
18 a 20 de julho (excepcionalmente em julho, já que costuma ser em junho)

Onde
Barcelona (Espanha)

O que posso fazer
Os primeiros lotes de desconto já foram esgotados. Está à venda o pacote VIP (que inclui o Sónar+D), com valor de € 225. Novos lotes estão para ser anunciados. https://sonar.es

A edição dos 25 anos do Sónar contou com nomes como Gorillaz. Foto: Divulgação/ Fernando Schlaepfer

Os organizadores reuniram todas as atividades não-musicais sob uma nova marca, o Sonar+D. Foto – Divulgação/ Barrut

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Leia “Impulso explorador que muda a carreira”, artigo do CEO da Profile, Rodrigo Cunha, sobre suas experiências com o TED e como essas vivências podem alterar a trajetória profissional

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