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Eu aposto que você também já foi fã de K-POP

por Guilherme Motta e Mariana Gouveia
Oct 5th, 2020 » 4 min (Comportamento) (Cultura) (Entreterimento) (Kpop) (Pop) (pós-digital)

Em Julho de 2012 o mundo testemunhou o poder do K-Pop pela primeira vez. 

E eu duvido que você nunca tenha feito essa dancinha com os seus amigos e familiares...

Psy, com o hit Gangnam Style, alcançou números que, até então, não éramos capazes de imaginar serem atingíveis: foi o primeiro bilhão do YouTube, segurando a posição de vídeo mais visto da plataforma por 3 anos seguidos e foi o primeiro asiático e ganhar um EMA (Europe Music Awards). 


Mas isso representava apenas o começo de um processo de exportação cultural gigantesco e o que estava por vir seria ainda maior que Psy e seus bilhões de views. Tudo começou com o fim da guerra das Coréias, na virada do século 21, quando o governo sul-coreano decidiu redirecionar cerca de 1% do seu pib para um setor que chamaram de “indústria de cultura criativa” - à princípio, visando o mercado chinês. Eram Chineses, inclusive, os jornalistas que cunharam o termo “Hallyu”, que literalmente se traduz para “onda coreana”. Por meio de Doramas (as “novelas”) e videogames, a Coréia passou a exercer relevante influência em países vizinhos na Ásia, mas não tardou para buscarem outros mercados. Foi por meio de grupos como BlackPink e BTS que a Hallyu varreu as Américas.


O K-Pop tomou conta do mundo, quebrando diversos recordes de audiência e consumo de conteúdo e criando uma legião de fãs que tratam os grupos com uma devoção quase religiosa.


Essa devoção se traduz em um volume imenso de buzz: só no Brasil são mais de 2 milhões de tweets contendo a palavra K-Pop nos últimos 4 meses. Os assuntos variam e vão desde entretenimento, cultura pop, política até, claro, K-Pop. O que nunca muda é que independente do assunto, os fandoms (grupo de fãs com um foco definido e em comum, similar a um fã-clube) e seus membros dão um jeito de utilizar gifs e vídeos para divulgar seus ídolos. Com um repertório de expressões e gírias muito características (Como seus “favs”, artista preferido de um determinado grupo ou as “fancams”, que são gravações amadoras feitas em alta qualidade de shows e eventos que não tiveram transmissão), eles criam correntes e floodam hashtags que estão em alta para se aproveitar do buzz gerado por outros assuntos fora do universo de K-Pop.


Recentemente, os fãs de K-Pop ganharam destaque na mídia com intervenções que utilizam o poder de engajamento dos grupos. Após sabotarem o aplicativo de denúncias de manifestantes criado pela polícia de Dallas, nos Estados Unidos, os fandoms também esvaziaram um comício do presidente e candidato Donald Trump, reservando diversos ingressos em nomes de parentes e astros do K-pop. Aqui no Brasil alguns políticos também já se depararam com o “Army”: o email do deputado que pediu dados de pessoas ligadas ao movimento antifascista foi bombardeado por indicações de bons grupos de K-Pop para ouvir e até um dossiê completo sobre o BlackPink, um dos maiores nomes do pop coreano na atualidade.


A proximidade das eleições, especialmente em um país polarizado como o nosso, pode trazer uma onda de comentários negativos de opositores que se opuserem aos posicionamentos progressistas dos fandoms, além da ferrenha rivalidade que eles possuem entre si. Faz parte do processo “lutar” para que seu grupo favorito seja reconhecido como o melhor e maior e isso gera atritos diários. 


Se por um lado esse engajamento absurdo, que chegou a crescer 13.000% em 2020 em relação ao último ano, pode ser muito interessante para as marcas, é preciso cautela com alguns fatores.


Como publicitários, é evidente que um engajamento deste nível desperta interesse, especialmente considerando que o volume parece continuar crescendo. É preciso compreender melhor não somente suas motivações e seu mundo, mas também a linguagem e as maneiras bastante características de se expressarem para conseguirmos, efetivamente, nos conectarmos com esse público.


VEM QUE A GENTE TE DÁ UMA AJUDINHA NESSE COMEÇO


Para começar a ajudar, montamos um pequeno glossário dos principais termos e conceitos:

Big 4 - K-Pop não foi um movimento orgânico. Existem 4 grandes agências responsáveis pelos maiores nomes do estilo atualmente, tais como BlackPink, EXO, BTS e GOT7.

Bias - Como os fãs chamam seu favorito em um grupo (Também pode ser chamado de “Fav”).

Comeback - Quando um grupo de K-Pop volta a lançar material novo.

Daebak - "Incrível/Muito bom".

Debut - Trabalho de estréia de um grupo ou Idol.

Fancams - Fancams são muito famosas no mundo do K-Pop. São shows e apresentações gravadas por fãs, geralmente em alta qualidade (muitas vezes até em 4K!). O formato é amado por ser mais rápido do que aguardar que o vídeo saia em canais oficiais, além de geralmente, oferecer uma perspectiva mais próxima.

Finger Heart - Pose característica do universo K-Pop que simula um coração com as pontas dos dedos.

Hallyu - Provavelmente o evento mais importante na história do K-pop: é um marco para indústria onde o estilo nasceu e evoluiu em um fenômeno mundial. Hallyu foi um movimento cultural de expansão realizado pela Coreia do Sul após o fim da guerra das Coreias, que visava enriquecer, modernizar e exportar produtos de cultura Sul-Coreana. 

Idol - Ídolo e/ou celebridade do K-Pop.

Sasaeng - Fãs "extremos" e obcecados.

Trainee - As agências do “Big4” têm também o que eles chamam de “trainees”. Estas agências treinam ídolos desde muito cedo para se tornarem astros do K-Pop. Seja em dança, canto ou composição de música. Os fãs chamam de “trainees” aqueles que ainda estão sendo preparados para ingressar em um grupo.

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